Fiquei pensando sobre as tais metas: meta como atriz, educadora, pesquisadora(?)...e acho que a minha fome maior é a de encurtar cada vez mais a distância entre o que eu digo e o que quero dizer. Quase sempre acho, existe uma distância entre o que a gente idealiza num resultado cênico e o que de fato acontece, já me surpreendi também pelo real se tornar mais interessante que o ideal....mas no geral, penso que se existir esse encurtamento entre a substância do que quero comunicar e o que de fato é comunicado...vou ter atingido um dos meus objetivos como atriz e experimentadora ( direção).
O que eu preciso pra isso? Me aprofundar mais nos processos...mais técnica que não seja fria... ter o que pensar, dizer, sentir....isso não falta.
Fazendo agora um grande parêntesis pulguento...acho que uma das pessoas mais famintas de quem ouvi falar foi justamente o cara que jejuava, Ghandi. Tem uma frase dele que eu adoro...algo como que a força provém de uma vontade indomável. De muitas coisas que eu experimentei fazer, o teatro foi a única que eu fiz e faço dentro dessa vontade indomável. Eu preciso dele, e preciso porque quero.
Tenho só um receio de que eu seja como aquele boxeador do filme "Menina de Ouro", que é péssimo, que não tem "what it takes", mas treina todos os dias porque sonha em ser campeão. Eu não sonho em ser campeã, só quero ter a liberdade pra dizer através do teatro... e a sorte de conseguir que algo do que eu diga chegue em algum lugar de alguma forma.
Gosto de pensar no público, no "P.F", como se fossem convidados meus para um jantar...eu passei meses cozinhando e quando a porta se abre é a minha surpresa pro público, aquele prato gigante... Gosto de pensar que embrulhei uma surpresa, algo secreto assim, e que vou surpreendê-los com aquilo que foi preprado. Um embrulho num dia de desaniversário...é isso o que eu gostaria de provocar, entre outras coisas....se consigo ou não...ainda não sei...mas vou continuar tentando.