terça-feira, 27 de abril de 2010

BACHELARD:
" A imensidão está em nós. Está ligada a uma espécie de expansão de ser que a vida refreia, que a prudência detém, mas que retorna na solidão..."
"Ah, como o mundo parece terrível para quem não se conhece! Quanto te sentires sozinho e abandonado diante do mar, imagina como devia ser a solidão das águas da noite, a solidão da noite no universo sem fim...o homem e o mundo criaturas esposadas..."
reflexão: o espaço íntimo, tal como o espaço do universo são tão vastos como o infinito. nós somos espelhos íntimos do universo...intimamente não menores...enormes e imensos como o mais desconhecido dele.

domingo, 25 de abril de 2010


" O ator deve trabalhar a vida inteira, cultivar seu espírito, treinar sistematicamente seus dons, desenvolver seu caráter, jamais deverá se desesperar e nunca renunciar a este objetivo primordial: amar sua arte com todas as forças e amá-la sem egoísmo."

(CONSTANTIN STANISLAVSKY)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

descobertas recentes ( anotação só para mim mesma)

sobre olhar - fé cênica

velocidade - intensidade ( relação intrínseca)

chavinhas pequenas que re-descobri...


disciplina - resistência - foco.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

pensares


- ser atriz x ser artista x ser atriz artista x ser artista atriz

a coragem de jogar fora todas as cartilhas...parece maluquice.Mas não seria a grandeza da arte manter-se espelho? e não estou falando de mimese,estou falando da capacidade do espelho de ser algo que não é...de refletir imagens diferentes, de não permitir que o tempo o marque, ou o pinte, ou faça com que ele se defina fora do instante.

às vezes parece que esqueci como ser atriz, ou pelo menos esqueci como ser a atriz que já fui...talvez isto seja bom, de fato. difícil é...assustador...é...mas eu invento a coragem que não tenho pra manter-me no sacerdócio do espelho.

e se eu não se encaixar? porque humano tem essa inquietude de encaixe, por isso rótulos, palavras, nomes...porque ninguém sustenta a indefinição do desconhecido...só que mesmo o conhecido pode ser visto com a abertura indefinida do primeiro e único momento. NInguém saberia o que é uma mesa se a tivesse visto pela primeira vez.
o que estamos fazendo no "alcóolicas" é assim...o ovo visto pela primeira vez...indefinido e fiel a sua própria gema.
um risco riscado com o princípio do impulso da criação.
honestidade para uma gemada substancial.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

QUANTO MAIS FAÇO ARTE, MAIS TENHO QUE FAZER POLÍTICA PARA QUE ELA SE REALIZE, QUANTO MAIS POLÍTICA FAÇO MENOS ARTE EU CONSIGO. Qual será o equilíbrio saudável entre ganhar o pão com a arte e não prostituí-la....para que ela permaneça no campo onde é mais interessante, a do sagrado, a do verdadeiro...

a corda arrebenta para o lado mais fraco? qual seria então o lado mais forte? o que sabe mentir melhor ou o que pode falar a verdade?

questões...

domingo, 12 de julho de 2009

espaço do sagrado

Olhar o palco de cima... essa grande caixa preta. Corpos se aquecendo, por dentro um provável turbilhão. Barulho de vozes da platéia que se aproxima e sai de casa, debaixo de chuva pra presenciar o pequeno ritual. Tudo se move: juntas, pele, osso, carne, suor, emoção... para que uma estória seja contada. Seja essa estória qual for... conhecida ou inventada ou reinventada..chegando bem ou mal...fisgando o público pela razão, riso ou emoção...o encontro do teatro é mágico...o encontro entre ator e platéia.

De um espaço que era quase nada, uma caixa preta vazia, vejo soldados, crianças tomando banho de chuva, ratos asquerosos perseguindo um barquinho de papel que desce pela correnteza do imaginário, vejo amor, vejo morte. Depois de tudo que se incendeia - corações, corpos, palco... tudo volta ao vazio que tinha. O espaço mingua, volta a ser só a caixa preta vazia...potencial para a poesia de corpos em ação...potencial do desenho de várias estórias e brincadeiras.

Essa oportunidade de transgredir com as leis do que é banal e cotidiano..é a verdadeira natureza do teatro. O poder de transformar o espaço, o outro, mesmo que de instante...apresentar outras cores para olhos acostumados. Por isso sacerdócio, por isso é religioso.

O lugar da criação é, para mim, o lugar onde mora o que chamam de "sagrado".

domingo, 5 de julho de 2009

embrulho surpresa

Fiquei pensando sobre as tais metas: meta como atriz, educadora, pesquisadora(?)...e acho que a minha fome maior é a de encurtar cada vez mais a distância entre o que eu digo e o que quero dizer. Quase sempre acho, existe uma distância entre o que a gente idealiza num resultado cênico e o que de fato acontece, já me surpreendi também pelo real se tornar mais interessante que o ideal....mas no geral, penso que se existir esse encurtamento entre a substância do que quero comunicar e o que de fato é comunicado...vou ter atingido um dos meus objetivos como atriz e experimentadora ( direção).
O que eu preciso pra isso? Me aprofundar mais nos processos...mais técnica que não seja fria... ter o que pensar, dizer, sentir....isso não falta.
Fazendo agora um grande parêntesis pulguento...acho que uma das pessoas mais famintas de quem ouvi falar foi justamente o cara que jejuava, Ghandi. Tem uma frase dele que eu adoro...algo como que a força provém de uma vontade indomável. De muitas coisas que eu experimentei fazer, o teatro foi a única que eu fiz e faço dentro dessa vontade indomável. Eu preciso dele, e preciso porque quero.
Tenho só um receio de que eu seja como aquele boxeador do filme "Menina de Ouro", que é péssimo, que não tem "what it takes", mas treina todos os dias porque sonha em ser campeão. Eu não sonho em ser campeã, só quero ter a liberdade pra dizer através do teatro... e a sorte de conseguir que algo do que eu diga chegue em algum lugar de alguma forma.
Gosto de pensar no público, no "P.F", como se fossem convidados meus para um jantar...eu passei meses cozinhando e quando a porta se abre é a minha surpresa pro público, aquele prato gigante... Gosto de pensar que embrulhei uma surpresa, algo secreto assim, e que vou surpreendê-los com aquilo que foi preprado. Um embrulho num dia de desaniversário...é isso o que eu gostaria de provocar, entre outras coisas....se consigo ou não...ainda não sei...mas vou continuar tentando.